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Trump assina ordem para reduzir recomendações de vacinação infantil nos EUA

Foto do escritor: matheusgomesadvoga
matheusgomesadvoga
10 de ago.
4 min de leitura
Medida pretende concentrar a vacinação de rotina em 11 doenças e incentiva a aplicação separada dos componentes da tríplice viral, especialistas contestam as mudanças.
Medida pretende concentrar a vacinação de rotina em 11 doenças e incentiva a aplicação separada dos componentes da tríplice viral, especialistas contestam as mudanças.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira (10) uma ordem executiva para modificar o calendário de vacinação infantil do país. A medida pretende reduzir o número de doenças contempladas na categoria de imunização recomendada para todas as crianças e propõe mudanças na aplicação de vacinas combinadas.


Pelo modelo defendido pelo governo, a lista principal passaria a abranger imunizantes contra 11 doenças: sarampo, caxumba, rubéola, poliomielite, coqueluche, tétano, difteria, infecções por Haemophilus influenzae tipo B, doença pneumocócica, HPV e catapora.


A mudança não representa necessariamente a proibição das demais vacinas. Alguns imunizantes poderão ser direcionados somente a grupos considerados de maior risco ou ficar sujeitos à chamada decisão clínica compartilhada, tomada por responsáveis e profissionais de saúde.


Governo propõe separar a tríplice viral

Outro ponto da ordem envolve a vacina tríplice viral, conhecida nos Estados Unidos como MMR. O imunizante protege simultaneamente contra sarampo, caxumba e rubéola.

Trump defendeu que os três componentes sejam aplicados separadamente e, quando possível, durante consultas médicas distintas. A ordem também incentiva o espaçamento de outras vacinas infantis.


A proposta enfrenta uma dificuldade prática: atualmente, os imunizantes individuais contra sarampo, caxumba e rubéola não estão disponíveis nos Estados Unidos. As opções utilizadas no país são as vacinas combinadas MMR e MMRV — esta última também oferece proteção contra a catapora.


O próprio Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos informa que não existem evidências científicas de benefícios na separação da tríplice viral. Especialistas também alertam que o aumento do número de consultas pode atrasar a conclusão do esquema vacinal e deixar crianças desprotegidas por mais tempo.


Mudança não tem aplicação automática

A assinatura da ordem executiva não significa que o calendário de vacinação infantil tenha sido imediatamente substituído em todo o território norte-americano.

Em janeiro de 2026, o governo Trump já havia anunciado uma reorganização das recomendações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, o CDC. O novo modelo dividia os imunizantes em três categorias: recomendados para todas as crianças, indicados para grupos de maior risco e sujeitos à decisão compartilhada entre responsáveis e profissionais de saúde.


A mudança, entretanto, foi suspensa provisoriamente pela Justiça federal. Por esse motivo, o CDC informa que o calendário infantil publicado anteriormente permanece como a recomendação vigente enquanto a disputa judicial continua.


A nova ordem orienta órgãos federais, como o Departamento de Saúde e o CDC, a adotarem providências para modificar as recomendações. Isso significa que ainda serão necessárias decisões administrativas, atualizações técnicas e possíveis análises judiciais antes que todas as alterações possam ser implementadas.


Além disso, as exigências de vacinação para matrícula em escolas são estabelecidas principalmente pelos estados e pelas autoridades locais. Dessa forma, uma ordem presidencial não substitui automaticamente as legislações estaduais.


Especialistas alertam para riscos

Entidades médicas e pesquisadores criticaram a proposta. Segundo especialistas em saúde pública, o calendário de vacinação infantil foi construído a partir de décadas de estudos sobre segurança, eficácia e prevenção de doenças graves.

A principal preocupação é que a retirada de algumas vacinas da recomendação universal reduza a cobertura vacinal. Mesmo que esses imunizantes continuem disponíveis para grupos específicos, a mudança poderá dificultar o acesso e deixar mais crianças suscetíveis a doenças evitáveis.

O espaçamento das doses também pode prolongar o período em que a criança permanece sem proteção completa. A exigência de consultas diferentes aumenta ainda os custos e as dificuldades de deslocamento, especialmente para famílias em situação de vulnerabilidade.


Vacinas não causam autismo

O secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., possui um histórico de críticas às políticas de imunização e já associou vacinas ao autismo.

Essa relação não é sustentada pelas evidências científicas. Uma análise divulgada pela Organização Mundial da Saúde em 2025 avaliou 31 estudos realizados em diferentes países e reafirmou que não existe relação causal entre vacinas e transtornos do espectro autista.

A suspeita teve origem em um estudo publicado em 1998 que associava a vacina tríplice viral ao autismo. Posteriormente, o trabalho foi considerado fraudulento, retirado pela revista científica responsável pela publicação e seu autor perdeu a licença médica.

O CDC também informa que não há evidência de benefício na separação dos componentes da tríplice viral. A aplicação combinada reduz o número de injeções e consultas necessárias, mantendo a proteção contra as três doenças.


Medida não altera vacinação no Brasil

A ordem assinada por Trump se aplica somente às políticas de saúde dos Estados Unidos. A decisão não provoca qualquer mudança automática no Programa Nacional de Imunizações ou no calendário infantil adotado no Brasil.

Pais e responsáveis brasileiros devem continuar seguindo as orientações do Ministério da Saúde e procurar uma unidade de saúde para manter a caderneta das crianças atualizada.


Implementação ainda será definida

Os efeitos práticos da ordem dependerão das medidas adotadas pelo Departamento de Saúde, das decisões do CDC e do andamento das disputas judiciais.

Ainda não está definido quando o novo modelo poderá entrar em vigor, quais vacinas deixarão efetivamente a categoria de recomendação universal e como os estados norte-americanos responderão à decisão.


Enquanto essas questões não forem esclarecidas, especialistas recomendam que as famílias não adiem ou interrompam a vacinação das crianças sem orientação de um profissional de saúde.


A discussão deverá continuar mobilizando autoridades, entidades médicas e pesquisadores, especialmente diante da possibilidade de queda na cobertura vacinal e do retorno de doenças que podem ser prevenidas por meio da imunização.

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